Olhar para dentro de si, para sua cultura, buscando nas raízes a identidade de sabores. Assim, o chef Ricardo Frugoli, pesquisador da cozinha brasileira, mestre e doutorando no programa de Hospitalidade pela Universidade Anhembi Morumbi, provoca seus alunos de pós-graduação ao tratar da cozinha brasileira. Pesquisador de ingredientes e pratos do país, percorre pela cultura gastronômica investigando e apropriando-se de alimentos para compor pratos que traduzem o colorido da essência tupiniquim. Pudera, tamanha sensibilidade tem sentido nas artes, por vários anos atuou como produtor de nomes consagrados, como Gal Costa e Mercedes Sosa. “Quando Mercedes morreu, decidi enveredar profissionalmente pela gastronomia, que antes era apenas intuitiva. Me dediquei aos estudos e pesquisas, me deparando com um universo impressionante de sabores e aromas únicos”, destacou ele.
Ao ingressar na nova carreira, percebeu a predileção da maioria dos estudantes pela cozinhas clássicas, francesa e italiana, e menor  interesse pela brasileira. Paulista, Ricardo colocou o pé na estrada e repercorreu o país, agora com um novo olhar, o de investigador da cozinha, se aproximou mais da região norte, tentando desvendar suas particularidades e entender seus pratos,  frutos e castanhas.  Professor na pós-graduação no curso de Gastronomia da Unic Pantanal, sua familiaridade com o norte do país lhe abastece de inspiração. Tanto assim, que a partir do cupuaçu colhido no quintal de uma aluna, Eliane Oliveira de Lima, preparou uma delicada sobremesa: Maravilha de Cupuaçu com calda de cumaru, a qual compartilha com os leitores da Saboreie. Criada há cinco anos, a receita envolve  três texturas: calda, massa e doce da fruta, surpreendendo os comensais.
O chef destaca que os ingredientes peculiares de todas as regiões nacionais deveriam circular com mais facilidade, propiciando aos gastrônomos e entusiastas da culinária a possiblidade de utilizá-los em suas composições: “Muitos dizem que os ingredientes do Pará, por exemplo, são exóticos. O que não é verdade, eles fazem parte da nossa terra, são nossos, exótico é o kiwi”. Para Ricardo, os chefs devem valorizar sabores e modos de preparar de cada localidade, citando a mojica de pintado. “Nenhum outro grupo elabora a mojica como os mato-grossenses, é preciso valorizar e dar visibilidade deste prato na  cozinha nacional”.
Além das aulas em pós-graduação, produção de eventos com foco na cozinha brasileira, consultorias, conduz dois projetos de pesquisa: farinhas do Brasil e Inventário da Cozinha Brasileira, projetos com previsão de finalização nos próximos 10 anos. Ao final da entrevista, ele cita um dos seus pratos prediletos: Camarão com ensopadinho de chuchu, rememorando a eterna Carmem Miranda, que apesar de parecer, não era brasileira, mas tinha paixão pelo Brasil, e a todo momento se apropriava de canções que valorizava a sua ligação com a brasilidade.Eis que na canção “Disseram que voltei americanizada”, através de um prato popular da época, ela se reforça brasileira perante seus fãs, a diva cantarola:  Enquanto houver no Brasil, na hora da comida, eu sou do camarão ensopadinho com chuchu.