csm_paola_1_e94ce34113Para quem é fã do MasterChef, como esta que vos escreve, domingo agora é dia de conferir o reality da Band e se deliciar com as intrigas, os preparos e com a musa Paola Carosella desfilando todo seu estilo e conhecimentos na telinha.

“É impressionante e cada vez encontro mais gente que assiste. Acho que ter mudado para domingo trouxe uma audiência composta de uma forma muito diferente e ampliada”, afirma a chef argentina, que conversou por e-mail com o CORREIO, direto de Buenos Aires.

É lá que Paola vai passar o Dia das Mães, com a filha , as tias e a avó, “provavelmente fazendo um almoço de família gostoso”. Na próxima quarta-feira (15), às 20h, ela estará em Salvador, comandando o jantar Mão de Mulheres Incríveis, ao lado das chefs Mara Salles e Neide Rigo, no restaurante Amado, na Av. Contorno. Confira o bate-papo.
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O que mais gosta e o que não gosta na típica culinária baiana?

De todas as comidas brasileiras, não tem nada que eu não goste. Eu gosto de tudo, é verdade! Tenho muitíssimo respeito pela culinária brasileira e não tem nada que eu não goste da culinária baiana. Tenho uma fascinação pela cozinha dos embrulhos, pela mandioca, pela banana da terra, pelos ingredientes da feira de São Joaquim, pela quantidade de molhos e molhinhos, dos diferentes tipos de feijões, diferentes tipo de derivados da mandioca e aprendi muito com a Neide Rigo sobre isso. Fazemos grandes passeios na Feira de São Joaquim quando eu vou pra Salvador. Não tem nada que eu não goste da cozinha baiana.

O que você está achando da atual temporada do MasterChef? Qual é o principal desafio depois de tantas edições no ar?

Eu amo fazer o Master Chef, todas as temporadas são um novo desafio. Acho que nesta temporada estamos todos muito mais conectados, talvez depois de tanto tempo de fazer o programa juntos vejo uma sinergia muito grande com Henrique, Jacquin e Ana. O programa já terminou de ser gravado, mas a gente se divertiu muito nessa gravação. Temos uma diretora nova, mulher, que vem com um olhar diferente e isso é sempre muito bom, muito rico. Acho que foi uma temporada muito divertida para nós e vocês que acompanham vão ver e sentir muito crescimento por parte dos participantes.

Várias vezes no programa você é bastante enérgica quando os cozinheiros desperdiçam alimentos. Como chamar atenção para esta questão tão séria no Brasil?

Acho muito difícil responder a pergunta só do alimento sem a gente falar sobre a conexão da pessoa com a comida. Em época de ultra industrialização, onde o acesso à comida deixou de ser difícil para muitos, por mais que ainda seja impossível para vários outros, essa banalização do ingrediente e da comida em muitos aspectos faz com que a gente não tenha o respeito que a comida merece. Mas eu sinto uma grande dificuldade de responder essa pergunta apenas sem inserir em um panorama muito mais complexo, acho que o olhar da pessoa que não é cozinheiro para o que comemos, como essa comida é feita, como é produzida e transportada, plantada de que forma e quais os impactos sociais e políticos de tudo isso, deveria ser algo sobre o qual a gente tenha muito mais consciência e mais educação. Através do programa eu passo a mensagem que eu consigo, tenho a ilusão de que talvez através dessa mensagem pessoas que se sintam interessadas possam ir atrás de maiores informações.

O MasterChef ajudou a popularizar conceitos/técnicas, despertar em muita gente o interesse pela gastronomia e influenciar pessoas como o próprio candidato Everton, que nesta edição afirmou ter crescido sonhando com o programa. Você imaginava que o reality teria um alcance tão grande?

Não, realmente não. É impressionante e cada vez encontro mais gente que assiste. Acho que ter mudado para Domingo trouxe uma audiência composta de uma forma muito diferente e ampliada.

Você poderia falar um pouco sobre os pratos que você vai preparar no projeto Mãos de Mulheres Incríveis ?

Nós pensamos em um cardápio entre todas, tentando costurar nossas receitas para que combinem umas com as outras. Eu vou servir de entradinha uma Vieira de Santa Catarina, que vamos assar no forno com um pouco de manteiga de alho e coral da Vieira. De prato principal eu farei uma paleta de cordeiro bem macia, cozida por volta de 10 horas, com uma massinha feita com favas verdes, que a minha avó fazia e que eu chamo de “Ravioli da Mamina”, uma massa que não tem recheio e corta no formato do ravioli e se faz com favas, ricota, gemas de ovo orgânico, farinha de trigo e leva um pouquinho de trufas negras italianas que chegaram para mim da Itália, trazendo um pouco da minha identidade italiana e deixando a Mara e a Neide falando bem mais alto o sotaque brasileiro que elas fazem muito bem. De sobremesa eu vou fazer uma sobremesa muito, muito clássica francesa, que é um Religieuse au Chocolat, uma carolina, recheada com creme de café brasileiro e umas sementes de cacau da Bahia esmagadas.

Qual sua relação com Mara Salles e Neide Rigo. Vocês já tinham participado de alguma atividade juntas ou vão estrear em Salvador?

Eu sou uma grande admiradora das duas e já cruzei na vida com elas em diferentes oportunidades. Sou muito cliente do restaurante da Mara, acho que é de longe um dos melhores restaurantes do Brasil e admiro muito a Mara em todos os sentidos, como mulher, como militante, como representante da culinária brasileira, como dona de restaurante em todos os aspectos. Da mesma forma eu tenho grandíssima admiração pela Neide Rigo, com a qual faço algumas coisas junto como o projeto Cozinha e Voz, em parceria com a ONU e o Ministério Público, onde fazemos treinamento e capacitação de cozinheiras, cozinheiros e cozinheirx. Para mim, a Neide Rigo é uma mulher que vale a pena seguir, entender, conhecer e estar por perto porque é um tanque de conhecimento. Eu adoro ela, aprendo, me surpreendo. Tenho uma enorme admiração pelas duas, realmente para mim são duas professoras, mulheres incríveis e não é a primeira vez que cozinhamos juntas. Com a Mara cozinhei agora há pouco tempo na entrega dos prêmios do Guia Michelin e nós duas demos muita risada, pois servimos comida de panela e conversamos muito sobre a importância de voltar a autenticidade na cozinha, mas essa seria uma conversa muito mais longa.

Como será seu domingo de Dia das Mães. Terá comidinhas especiais?

Estou em Buenos Aires com minha filha, aqui na Argentina o Dia das Mães não é neste domingo, mas estarei com ela, com minhas tias e avó, provavelmente fazendo um almoço de família gostoso. (Ana Cristina Pereira – Correrio 24 horas)