A mujica de pintado, elaborada com o peixe de água doce, temperos e mandioca, guarda uma autenticidade particular: sua identidade de sabor e do modo de preparação perpassa a historicidade cuiabana, pantaneira. Com essa percepção do recorte cultural da gastronomia, o chef Demerval Valeriano da Silva Neto, que assina a cozinha do restaurante Sesc Mangaba, prepara o prato dos mais queridos pelos mato-grossenses, trazendo à memória suas andanças pela beira do rio e as brincadeiras de infância no pátio da Casa do Artesão, prédio histórico anexo ao restaurante. Quando criança, o menino acompanhava sua mãe cozinheira naquele local e aguçou seu vínculo com os sabores.

O tempo passou, a cidade cresceu, porém a cumplicidade com a gastronomia regional continuou forte na vida do chef. Tanto assim que logo após a inauguração do restaurante Sesc Mangaba, em dezembro de 2012, ele foi convidado para comandar as panelas. E a mujica de pintado é uma das delícias diárias do cardápio da casa, cujo foco são os comerciários, mas está aberto ao público mato-grossense e turistas que se encantam com a decoração do espaço, composta por peças de artesanato do acervo do Sesc Mato Grosso, como o lustre feito com miniaturas de violas de cocho.

Ele conta que o peixe sempre esteve presente na mesa do cuiabano e nas festas religiosas, tradicionais na Baixada Cuiabana. “Os peixes foram fartos na Bacia Pantaneira, no rio Cuiabá, e os registros mostram toneladas deles em dias de pesca. Ele se popularizou, fez fama e agrada não só os cuiabanos, mas também ao turista que se entusiasma com nossa gastronomia”, explica o chef.

Para a nutricionista do restaurante, Thaís Cortat Ribeiro, a mujica é um prato que, além de saboroso e de fácil digestão, também é leve e saudável, afinal seu ingrediente principal, o pintado, é rico em ômega 3. “A mandioca também é um ingrediente importante, pois é um carboidrato de baixo índice glicêmico”, acrescenta. Ela destaca que o chef valoriza os ingredientes frescos, excluindo temperos processados e industrializados. Tanto assim que a junção da cebola, do alho, das ervas, como o perfumado coentro, imprime sabor irresistível à mujica.  A dica da nutricionista é apreciar a mujica com arroz, banana-da-terra frita e o vinagrete cuiabano.

No restaurante, cujo nome Mangaba remete ao fruto da mangabeira, árvore que pode alcançar cerca de sete metros de altura, o sistema de serviço é sirva-se à vontade. “O fruto mangaba possui cheiro forte, polpa branca e gosto bem doce. A palavra mangaba é de origem tupi-guarani, que significa “coisa boa de comer” e aqui no restaurante é assim: nossos pratos ficam dispostos em uma mesa extensa, inspirada nos almoços das famílias cuiabanas”, explica Marcia Helena Veloso de Brito, gerente do restaurante, que tem capacidade de atender até 130 pessoas.

O Sesc Mangaba privilegia a comida regional a partir de pratos como maria-isabel, farofa de banana, paçoca de pilão, ventrecha de pacu e filé de pintado à milanesa. Há também pratos exclusivos, como a panqueca de pequi, mousse de pequi, entre outros.  E não se esqueça de degustar os doces caseiros de frutas, são deliciosos.