Com a “mão na massa”, a chef de cozinha Lilian Sanjuán, de 42 anos e moradora de São Roque (SP), usou a paixão pela gastronomia para vender panquecas e conseguir pagar o tratamento de um câncer raro que foi diagnosticado há cinco anos.

Ao G1, Lilian contou que descobriu que tem pseudomixoma peritoneal , considerado um tipo raro de câncer. Segundo ela, o tumor vai ‘comendo’ os órgãos e é muito difícil fazer o diagnóstico.

“Estava trabalhando e senti algumas dores no lado do apêndice. Fui no hospital e me diagnosticaram com apendicite. Fui para São Paulo, me operaram e descobriram que não era apendicite, mas sim um câncer”, diz.

“Não tenho mais o ovário nem o útero. Uma parte enorme do intestino também foi acometida. Não tem como saber a hora que ele volta, é muito lento. Ele vai nascendo, criando de novo e tem que estar abrindo a barriga para limpar. Fiz uma cirurgia e uma quimioterapia diretamente no meu abdômen. Fizemos uma dívida de R$ 300 mil e isso vou pagar minha vida inteira”, conta.

Desde então, a chef de cozinha passou a vender panquecas e batatas recheadas para custear o valor dos medicamentos e consultas, que custam em média R$ 8 mil.

“Tomo uma injeção que custa em média R$ 6,8 mil e a consulta é cerca de R$ 1,7 mil. Pensei em inovar as receitas e fazer algo diferente, barato e com um paladar maravilhoso. Com um preço bom para as pessoas me ajudarem nesse tratamento. Tenho várias dores. Então, meus remédios vão trocando e é um custo muito grande. É bem complicado”, diz.

“Preciso desse valor para os medicamentos novos. Meu corpo não está aceitando direito a injeção e preciso de outra saída. Não gosto de pedir dinheiro. Então, aceito trabalhar em troca da pessoa me ajudar a comprar”, explica.

Cozinhando
Lilian diz que começou a fazer panquecas e batatas recheadas na própria casa. Em seguida, muitos passaram a ajudar e comprar os pratos. Um vídeo que ela compartilhou nas redes sociais falando de uma ‘panquecada’ que terá no dia 9 de fevereiro teve mais de 20 mil visualizações.

Ela ainda afirma que a prefeitura acolheu a história e permitiu que ela abrisse um contêiner na Avenida Bandeirantes para vender as batatas e panquecas.

“Amo minha profissão, amo o que faço de paixão. Isso me ajuda a receber abraços. As pessoas levam flores. Isso vai me levantando, dando prazer e carinho de estar continuando e sabendo que estou no caminho certo da cura”, conta.

A chef conta que, além dos moradores de São Roque, diversas pessoas do estado vão até o contêiner para compras as panquecas, que são vendidas a R$ 25.

“Vem gente de todo o lugar. É muito bonitinho. As panquecas são caprichadas com todo amor e carinho do mundo. Meus clientes viraram amigos meus, me dão muita energia”, diz.